UPW NY

Momento incrível com Tony Robbins

 

Firewalk

“Todo animal foge do fogo. O único animal que enfrenta o fogo é o ser humano. Tony Robbins

O primeiro dia de treinamento intenso em NY começava as nove horas da manhã.

Lá estava eu extasiada por ter vencido tantos desafios para vivenciar aquela grande conquista.

Tudo que o Tony falava era rapidamente assimilado, estava totalmente aberta ao aprendizado.

A meia noite em ponto TR anunciou que estaria nos preparando para o tão esperado FIREWALK, caminhar no fogo, ou nas brasas.

Foram intensas duas horas de preparação emocional, mental e intruções de como deveria ser feito, quem estaria no final do percurso para nos apoiar, como os instrutores agiriam, como nos deveríamos agir em cada passo, incluindo jamais correr pois correr poderia significar queda e queda de cara nas brasas.

Ao final das instruções a informação completamente “desnecessária”, de que um carvão incandescente tem uma temperatura de de 1400 graus celsius em cinzas até 200 graus celsius e que um pouco de cuidado fora do percurso seria interessante caso algum carvão pudesse estar fora do tapete de brasas…

Enquanto nos deslocávamos até o local do firewalk sentia-me invencível, com uma certeza absoluta de ser mais forte que o fogo.

Assim iamos todos em uma só voz gritando “yes”, “yes”, batendo palmas todos num mesmo ritmo quando, de repente abriu-se a minha frente o tapete de brasas, o calor intenso em minhas canelas em segundos informava que chegara a minha hora de caminhar sobre as brasas.

Em um destes segundos travei!!! E em frames de segundo o instrutor buscou meus olhos com um vigor de quem diz tu podes, e gritava “yes”, “yes”, “yes”.

Dei o primeiro, o segundo e o terceiro passo sem sentir absolutamente nada, porém do quarto passo em diante deparei-me com minha natureza… e a dor chegou intensa, incontrolável, quase me tirando o ar dos pulmões… e um silêncio absoluto dentro de mim se fez. O barulho externo era intenso mas o silencio interior gritava muito mais alto.

É loucura oq eu vou dizer mas eu tinha absoluta certeza de que não me queimaria e lá estava eu no limite da minha dor. Uma dor intensa e um silencio infinito.

Chego ao ultimo passo e outros dois instrutores me apoiam firme em uma poça d’água. Nunca me senti tão segura e amparada, era o alívio que precisava mesmo com uma expressão explícita demais de dor era necessário celebrar e assim  o fiz intensamente.

Colegas dos quatro cantos do mundo vinham celebrar comigo, amigos do Brasil recém feitos vieram dar o apoio, o abraço e a celebração. Minha cara de dor era tão forte que alguns me diziam “respira fundo”.

Aos poucos fui recuperando minha voz interior que me perguntava:

– Então, Evelyn, o quanto mesmo estás disposta a suportar algumas dores para “chegar do outro lado”, ter a recompensa da superação e poder celebrar as vitórias, as conquistas na tua vida?

 

– O quanto estás disposta a confiar em alguém e correr o risco de te decepcionar? E se a decepção acontecer seguires teu caminho em direção aos teus objetivos???

– O quanto estas disposta a reconhecer que pessoas que talvez nem conheças estejam preparadas para te auxiliar pelo simples fato de que elas já viveram, realizaram e atingiram os objetivos que desejas?

Retornando ao local do evento e também ao meu absoluto silencio interior para pegar minhas coisas e retornar para casa, com dificuldade de andar, é claro… começo a sentir arrepios e náuseas por conta da dor nas queimaduras dos pés, sobretudo o direito.

Sentei-me já dentro do Prudential Center por uma hora aproximadamente na esperança de que a dor aliviasse até que surge um voluntário de camiseta banca com uma cruz vermelha, tudo indica ser um profissional da sáude. Pedi que examinasse meus pés e prontamente puxando uma lanterna fez um comentário falando rápido, em inglês, eu nada entendi, mas todos a volta riam muito do comentário dele.

Pedi o tal spray que o Tony havia dito que teria, mas nem sabia do que se tratava, pedi então que ele repetisse, com calma, o comentário e ele disse que de todos os pés que ele havia examinado naquela noite o meu era o mais “bonito”. Choquei!!!! Penso então que as demais pessoas deixaram suas solas nas brasas…

Uma outra voluntária que passava me ofereceu um óleo muito perfumado e eu é pra já, qualquer coisa que possa trazer esperança de alívio eu topo.

Os voluntários seguiram seus rumos e as respostas começaram a vir dentro de mim de forma muito clara:

– Sim, eu vou suportar as dores necessárias para conquistar meus objetivos e ter uma vida extraordinária…

– Entendi que a dor é amiga, não é inimiga. A dor calou “a voz dos infernos” que durante a vida toda, em vários momentos me paralisou dizendo: “vai te acomodar que é mais fácil” “pra que tudo isso” “tens que te f. mesmo”. Diante da dor estas frases sequer se atreveram a me assombrar.

– Eu havia decidido encarar a dor, por livre e espontânea vontade, consciente dos riscos, inclusive da temperatura da brasas, aff… Assumir mais ainda os riscos e a responsabilidade sempre, sobre cada passo daqui por diante em minha vida.

– Aprendi, acima de tudo, que dor alguma tem o poder de tirar as alegrias de minhas conquistas e que eu vou celebrar sempre, mesmo que a dor seja intensa, que pequenas decepções com pessoas que amo e admiro jamais irão apagar tudo de bom que vivemos.

– Aprendi o que está na Bíblia, a dor pode durar uma noite, mas o dia logo vem e a recompensa e a experiência são eternos.

Bem, chegando ao hotel o banho teve que ser gelado pois para aliviar as queimaduras dos pés. E por uma questão de sobrevivência, utilizei as toalhas de rosto molhadas para enrolar os pés e dormir… Aliás, dormi profundamente

Ao acordar já na hora de me organizar para ir para o segundo dia de treinamento, olhei para os pés enrolados, que cena engraçada, pensei que não conseguiria ficar de pé  e para minha grande surpresa eu fiquei de pé e com a sensação de que nada havia acontecido. Caminhei, pulei e vivi intensamente o segundo dia de treinamento sem sentir absolutamente nada..

Então mais um aprendizado:

Que sou mais forte que pensava, que me amo muito mais do que me amava há apenas 24 horas atrás simplesmente por ter escolhido me desafiar, me superar e assim aprendido muito mais sobre mim mesma em algumas horas do que em anos.

 

 

 

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